O cenário cinematográfico atual vive um momento de extremos, onde grandes sagas de ação e o renascimento do horror disputam a atenção do público global. De um lado, temos a consagração de uma das franquias mais lucrativas da história, que inicia seu adeus com números impressionantes; do outro, a exploração psicológica profunda em um universo pós-apocalíptico que retorna com força total.

O adeus explosivo de ‘Velozes & Furiosos 10’

A décima parcela da saga de Dom Toretto segue firme em exibição nos cinemas brasileiros e demonstra fôlego invejável. Em pouco menos de duas semanas em cartaz, o longa-metragem já ultrapassou a marca de US$ 512 milhões na bilheteria mundial. A trama marca, teoricamente, o início do fim para a família de corredores que, ao longo de três décadas, superou todo tipo de adversidade. Desta vez, no entanto, o desafio é pessoal e visceral: Dante, interpretado por Jason Momoa, surge como uma ameaça fantasma do passado, movido por pura vingança e determinado a destruir tudo o que Toretto ama.

Dentro dessa narrativa de “fim da estrada”, um ponto específico gerou comoção e debate entre os fãs: o destino de Jakob Toretto. O personagem de John Cena, que protagonizou um retorno emblemático à família anteriormente, aparentemente se sacrifica para salvar o irmão e o sobrinho. A cena deixou o público impactado, mas, conhecendo o histórico da franquia de reviver mortos e criar falsas despedidas, a dúvida paira no ar. Em entrevista à Entertainment Weekly, Cena comentou os bastidores dessa decisão dramática, explicando como concordou com o desfecho do seu personagem, embora, no universo de Velozes, nunca se possa bater o martelo definitivamente sobre o fim de alguém.

A gênese do mal em ’28 Years Later: The Bone Temple’

Enquanto uns se sacrificam por amor, outros abraçam a escuridão absoluta. Mudando radicalmente o tom, o aguardado 28 Years Later: The Bone Temple oferece uma perspectiva perturbadora sobre a infecção que devastou a sociedade. Logo nos primeiros momentos do filme, somos confrontados com a origem da tragédia pelos olhos de uma criança, que testemunha não apenas o assassinato brutal de sua família, mas a aceitação voluntária da infecção por seu próprio pai, que encara o vírus como um ato divino.

Esse garoto cresce para se tornar Jimmy Crystal, interpretado na fase adulta pelo fantástico Jack O’Connell. Ao contrário do heroísmo visto nas telas de ação, aqui temos um retrato de decadência mental. Jimmy é a peça central da trama, servindo como uma ponte narrativa com o primeiro filme, mas agora sob uma luz muito mais sinistra. O personagem é descrito como uma monstruosidade completa, alguém que perdeu qualquer traço de humanidade.

A construção de um vilão perturbador

Ao conversar sobre a complexidade de viver alguém tão horrendo, O’Connell revelou que, preocupantemente, muitas das cenas fluíram com naturalidade. Segundo o ator, houve uma liberdade criativa imensa no set, permitindo que o elenco mergulhasse de cabeça na loucura proposta pelo roteiro, criando uma convicção coletiva que transparece na fisicalidade das atuações.

Para O’Connell, conectar-se com o lado “monstruoso” de Jimmy não foi a parte mais difícil. A construção do personagem passou muito pelos detalhes visuais, elementos que muitas vezes não recebem o devido crédito, mas que foram essenciais para dar vida ao caos. O ator destacou o trabalho da equipe de maquiagem e figurino, mencionando especificamente os dentes falsos — que por si só já causavam repulsa — e a peruca.

O estilo do caos

Curiosamente, a estética bizarra do personagem teve influência direta do próprio ator. Foi O’Connell quem sugeriu o uso do agasalho de veludo roxo (purple velour tracksuit), ideia prontamente executada pelos figurinistas Gareth Pugh e Carson McColl. Esses detalhes, somados a adereços inusitados como uma tiara, sinalizam para o público que a situação está prestes a sair do controle. Vindo de um 2025 extremamente produtivo, com destaque também para sua atuação em Sinners, Jack O’Connell consolida seu talento para se perder em papéis insanos e selvagens, deixando a audiência na expectativa de vê-lo, quem sabe no futuro, interpretando alguém que esteja apenas tendo um dia bom.