Se você procura uma aposta certeira para garantir o sucesso financeiro de uma produção cinematográfica, a resposta parece estar em colocar Zoe Saldaña no espaço. A estrela da franquia Avatar, aos 47 anos, consolidou-se como a atriz de maior bilheteria de todos os tempos no cenário mundial. Segundo dados do site especializado The Numbers, os filmes protagonizados por Saldaña acumularam a impressionante cifra de aproximadamente 15,47 bilhões de dólares globalmente. Esse montante a coloca acima da antiga detentora do título, Scarlett Johansson, cujos longas somam cerca de 15,4 bilhões de dólares.

O marco foi atingido graças ao desempenho estrondoso do blockbuster de James Cameron, Avatar: Fire and Ash. No filme, Saldaña retorna ao papel de Neytiri pela terceira vez. A produção de ficção científica já ultrapassou a marca de 1,2 bilhão de dólares, reafirmando o poder da franquia. Vale lembrar que o Avatar original, de 2009, permanece como o filme de maior bilheteria da história (sem ajuste de inflação), com 2,9 bilhões, enquanto a sequência O Caminho da Água, de 2022, ocupa o terceiro lugar no ranking histórico.

Além de Pandora, o currículo da atriz é sustentado por outros gigantes da cultura pop. Saldaña interpretou Gamora no Universo Cinematográfico Marvel, estrelando a trilogia Guardiões da Galáxia e os sucessos colossais Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato — este último, a segunda maior bilheteria de todos os tempos. Curiosamente, isso significa que os três maiores filmes da história do cinema contam com a presença dela. Fora do universo dos super-heróis e dos Na’vi, ela também viveu Uhura nos filmes Star Trek e participou do primeiro Piratas do Caribe, demonstrando uma versatilidade comercial inigualável.

O Contraponto Cultural Brasileiro

Enquanto os números astronômicos de Hollywood dominam as manchetes e o imaginário popular, existe um cenário contrastante em terras brasileiras. É melancólico notar que, enquanto a indústria norte-americana celebra seus bilhões, muitos brasileiros optaram, ao longo das décadas, por cobrir os olhos com “vendas americanizadas”. Há uma preferência massiva pelo cinema estrangeiro e, quando o idioma português surge na tela — por um descuido de escolha ou curiosidade —, o espectador muitas vezes estranha a naturalidade da língua materna, habituado que está com a dublagem das produções importadas.

Esse distanciamento cultural é uma ferida aberta. A falta de reconhecimento interno é uma cicatriz deixada pela busca incessante de validação externa, onde o público consome avidamente as sagas de Zoe Saldaña e Scarlett Johansson, mas desconhece a potência artística forjada em seu próprio país. No entanto, o cinema brasileiro, desde os seus primórdios em meados de 1890, capturou a essência do cotidiano, as cores vibrantes e as histórias profundas do nosso povo, servindo como uma janela para a rica tapeçaria que compõe a nação.

Um Convite à Redescoberta

Para contrapor essa hegemonia estrangeira e celebrar a identidade nacional, um grupo composto por críticos jovens e veteranos de todo o Brasil — com destaque para o grupo “Os Incompreendidos” — elaborou uma lista definitiva para celebrar o dia do cinema brasileiro. O objetivo não é impor verdades absolutas ou ditar regras rígidas sobre o que deve ser apreciado, mas sim fazer um convite. É uma chamada para remover as vendas que nos amarram às produções de fora e permitir um mergulho nas narrativas que realmente nos pertencem.

As listas de melhores filmes são, naturalmente, reflexos de uma época e das preferências momentâneas dos votantes. Elas funcionam como pontos de partida para debates e redescobertas. A seleção apresentada busca iluminar tesouros cinematográficos que vão desde a crítica social do Cinema Novo até as produções contemporâneas, incentivando novos cinéfilos a abraçarem a diversidade da nossa sétima arte.

Abaixo, apresentamos a seleção que visa despertar o olhar para a beleza que sempre esteve diante de nós.

Os 55 Melhores Filmes Brasileiros de Todos os Tempos

  1. Cabra Marcado Para Morrer (1984) – Eduardo Coutinho

  2. Limite (1931) – Mário Peixoto

  3. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) – Glauber Rocha

  4. O Bandido da Luz Vermelha (1968) – Rogério Sganzerla

  5. São Paulo, Sociedade Anônima (1965) – Luiz Sérgio Person

  6. Rio, Zona Norte (1957) – Nelson Pereira dos Santos

  7. São Bernardo (1972) – Leon Hirszman

  8. Vidas Secas (1963) – Nelson Pereira dos Santos

  9. Terra em Transe (1967) – Glauber Rocha

  10. Bang Bang (1971) – Andrea Tonacci

  11. Jogo de Cena (2007) – Eduardo Coutinho

  12. À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) – José Mojica Marins

  13. Central do Brasil (1998) – Walter Salles

  14. Rio, 40 Graus (1955) – Nelson Pereira dos Santos

  15. Sem Essa Aranha (1970) – Rogério Sganzerla

  16. Noite Vazia (1964) – Walter Hugo Khouri

  17. Cidade de Deus (2002) – Fernando Meirelles, Kátia Lund

  18. Os Fuzis (1964) – Ruy Guerra

  19. Falsa Loura (2007) – Carlos Reichenbach

  20. O Pagador de Promessas (1962) – Anselmo Duarte

  21. Filme Demência (1986) – Carlos Reichenbach

  22. O Auto da Compadecida (1999) – Guel Arraes

  23. Eles Não Usam Black-Tie (1985) – Leon Hirszman

  24. O Padre e a Moça (1966) – Joaquim Pedro de Andrade

  25. Edifício Master (2002) – Eduardo Coutinho

  26. O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969) – Glauber Rocha

  27. Alma Corsária (1993) – Carlos Reichenbach

  28. Pixote (1980) – Héctor Babenco

  29. Compasso de Espera (1973) – Antunes Filho

  30. Mar de Rosas (1977) – Ana Carolina

  31. Memórias de um Estrangulador de Loiras (1971) – Júlio Bressane

  32. A Casa Assassinada (1971) – Paulo César Saraceni

  33. O Caso dos Irmãos Nave (1967) – Luiz Sérgio Person

  34. A Mulher de Todos (1969) – Rogério Sganzerla

  35. A Hora da Estrela (1985) – Suzana Amaral

  36. Bacurau (2019) – Kléber Mendonça Filho

  37. Ilha das Flores (1989) – Jorge Furtado

  38. A Mulher Que Inventou o Amor (1979) – Jean Garrett

  39. Matou a Família e Foi ao Cinema (1969) – Júlio Bressane

  40. Jardim de Guerra (1968) – Neville D’Almeida

  41. Excitação (1976) – Jean Garrett

  42. Sertânia (2020) – Geraldo Sarno

  43. O Assalto ao Trem Pagador (1962) – Roberto Farias

  44. Mato Seco em Chamas (2022) – Adirley Queirós, Joana Pimenta

  45. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967) – José Mojica Marins

  46. Rio Babilônia (1982) – Neville D’Almeida

  47. O Som ao Redor (2012) – Kléber Mendonça Filho

  48. Macunaíma (1969) – Joaquim Pedro de Andrade

  49. Iracema: Uma Transa Amazônica (1975) – Jorge Bodanzky, Orlando Senna

  50. Que Horas Ela Volta? (2015) – Anna Muylaert

  51. O Homem Que Virou Suco (1980) – João Batista de Andrade

  52. O Lobo Atrás da Porta (2013) – Fernando Coimbra

  53. O Viajante (1998) – Paulo César Saraceni

  54. Garoto (2015) – Júlio Bressane

  55. Di Cavalcanti (1977) – Glauber Rocha