Hereditariedade e Poder: Das Linhagens Mais Letais à Expansão do Universo Absolute
Nos quadrinhos, assim como na vida real, a origem define muito do que somos. Excetuando-se as entidades cósmicas que surgiram do vácuo, todo personagem é subproduto de seus antepassados. Embora a jornada do herói que ascende do anonimato seja um clássico narrativo, é inegável que algumas das figuras mais poderosas da ficção carregam o peso de dinastias lendárias. Ao analisarmos as árvores genealógicas mais robustas das HQs — focando estritamente em laços de sangue e não em afiliações de equipe —, encontramos famílias que operam em um nível de poder quase incompreensível
Começando pela Marvel, o Quarteto Fantástico justifica sua alcunha de “Primeira Família” não apenas pelo pioneirismo, mas pela genética. Deixando de lado o Coisa, que não possui laço sanguíneo com os demais, o trio formado por Johnny Storm, Reed Richards e Sue Storm já seria formidável. No entanto, o fator que coloca essa família no topo é Franklin Richards. O filho de Reed e Sue é um dos manipuladores de realidade mais poderosos que já existiram, capaz de criar universos de bolso. Além dele, a linhagem se estende ao futuro distante com o lendário Kang, o Conquistador, provando que o DNA dos Richards molda a história através dos milênios.
Enquanto os Richards dominam a realidade, a Casa de El na DC Comics impõe respeito pela força bruta e potencial evolutivo. O nível médio de poder entre os kryptonianos sob um sol amarelo é absurdo, abrangendo Superman, Supergirl, Kon-El e Jon Kent. Essa linhagem de protetores segue firme futuro adentro, evoluindo a cada geração, como visto no Superman do Século 853. O próprio Kal-El possui um potencial ilimitado, com diversas linhas temporais sugerindo que ele será a última entidade viva de seu universo.
De volta aos mutantes da Marvel, a união dos genomas Summers e Grey criou, talvez, a família mais perigosa do planeta. Metade dos telepatas e manipuladores de realidade de nível ômega vêm desta árvore. Jean Grey, intrinsecamente ligada à Força Fênix, passa esse potencial aos seus descendentes. A genética de Scott e Jean é tão perfeita para a criação de mutantes “Além do Nível Ômega” que o Sr. Sinistro dedicou sua vida a orquestrar essa união. Com filhos como Vulcan, o maior manipulador de energia existente, e Nate Grey, que rivaliza com Franklin Richards, essa família é “overpowered” em qualquer cenário concebível
No entanto, acima de todos eles, estão os Perpétuos (The Endless). Filhos do Tempo e da Noite, estes sete irmãos representam forças fundamentais do universo DC. Se a “Presença” ocupa o primeiro lugar na hierarquia de poder, os Perpétuos vêm logo em seguida. Eles são onipotentes em seus domínios e verdadeiramente imortais, existindo enquanto seus conceitos perdurarem. Disfuncionais como qualquer família, eles moldam a realidade a seu bel-prazer
A Semana do Universo Absolute
Enquanto essas famílias ancestrais consolidam seu legado, o mercado atual vive a efervescência da construção de novas mitologias com o “Absolute Universe” da DC. Devido a alguns atrasos logísticos, esta semana acabou se tornando um verdadeiro evento, com quatro títulos de peso chegando às lojas simultaneamente na quarta-feira: Absolute Batman #16 de Scott Snyder e Nick Dragotta (trazendo um crossover com a Mulher-Maravilha), Absolute Wonder Woman #16, Absolute Martian Manhunter #8 e Absolute Flash #11.
Esses títulos Absolute tornaram-se uma espécie de “Bitcoin” para a indústria de quadrinhos. Colecionadores e especuladores têm visto o valor das primeiras edições e cópias recentes disparar conforme esse novo universo se estabelece e as vendas aumentam. A busca agora não é apenas pelas primeiras aparições solo, mas pelos primeiros encontros entre ícones. Há uma grande expectativa em torno de DC’s K.O. #4, que promete reunir Batman, Superman e Mulher-Maravilha. Contudo, leitores mais astutos, que acompanham as análises do portal Bleeding Cool, já perceberam que DC’s K.O. Boss Battle #1 deve chegar às bancas antes, furando a fila dessa estreia conjunta. Vale lembrar também de Absolute Evil #1, que passou despercebido por muitos, mas já trouxe as primeiras versões de Lex Luthor e Superman deste universo
O roteirista Scott Snyder tem alimentado esse “hype”, provocando os fãs sobre a estreia da Hera Venenosa Absolute e a criatura monstruosa que habita nela em Absolute Batman #17, alertando lojistas sobre a importância dos pedidos antecipados. Já nas páginas de Absolute Batman #16, temos a confirmação de uma inversão curiosa de papéis: Lucius Fox aparece como o chefe de Bruce Wayne no canteiro de obras. É uma dinâmica interessante ver um Bruce fisicamente imponente respondendo a um chefe compreensivo como Lucius
Por fim, uma coincidência narrativa chama a atenção nos lançamentos da semana. A Mulher-Maravilha marca presença em um evento no Museu de História Natural de Gateway City em seu título próprio, o que soa familiar para quem acompanha os crossovers. Se ganhássemos uma moeda para cada vez que uma HQ do Universo Absolute publicada nesta quarta-feira colocasse a Diana em um Museu de História Natural fictício, teríamos duas moedas. Não é muito, mas é curioso que tenha acontecido duas vezes no mesmo dia